"Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome." (Clarice Lispector)
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quarta-feira, 13 de abril de 2011

A generosidade

Uma palavra atribuída a tantos assuntos diferentes.
Um sentimento inerente ao longo da vida ou em determinados momentos.
Uma realidade que o homem se distancia.
Um ideal vaporizado pelos sulcos profundos de um medo, de um estar exposto constantemente a violência.

O que é ser generoso pra você????
Segundo o dicionário é "Aquele que se dá, que tem um caráter nobre"- em se tratando de pessoas. É um adjetivo que pode ser usado complementando o substantivo seja ele pessoas, animais, terra, etc.

O que me preocupa é saber onde este adjetivo ou substantivo se encaixa em cada um de nós, em determinados tempos há uma sombra espessa pairando sobre o sentido de ser generoso. Eu cometo erro ao me sentir poderosamente generosa quando retribuo, ou apenas anseio em retribuir um ato benigno? Quantos de nós reconhecem que suas raízes não são fortes o suficiente, pois basta um olhar de desagrado para toda aquela generosidade escoar pelas mãos, e neste momento sentir-se possuído pelos desejos infernais da maledicência e da vingança. 
Eu penso melhor a cada dia, desde que reconheci que envelheço a cada minuto, mas esta afirmação não tem um sentido negativo ou pejorativo comparado a juventude, tem um sentido de experiência, análise do consigo mesmo, da solidão interior, das vozes que todo mundo escuta (a sua própria voz?).
Sim, ela mesmo, a voz do grilo falante, que frequentemente mesmo sem ser consultado identifica suas atitudes positivas e sobretudo as que não foram muito legais.
Louve ao que você acredita a cada dia que vive. Já se deu conta de que a vida, esta dádiva de interesses múltiplos, só depende da sua construção? 
Agradeça pelos momentos felizes e não se esqueça das pessoas ou coisas que fazem parte deste instante peculiar e único, pois tudo faz parte de uma grande engrenagem.
Enfim, como hoje eu acordei meio poeta, meio louca... agradeço pelo dia de ontem, diante de uma excelente aula de administração pública, e pela minha aula de dança, onde vivenciei atos de generosidade coletiva por minha "fessora" Elaine e pelo grupo. As meninas já dançam um tempo e continuam me dando força pra chegar até o final. Eu reconheço minhas limitações, minha descoordenação, porém não há nada mais motivador do que o desafio e o encorajamento. Por ora, reconheço que não é nada bonito me ver dançando, é um lance complicaaaado.
Que hoje, ao final deste dia, mais uma vez, eu possa agradecer por todos os atos e acontecimentos.

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domingo, 12 de dezembro de 2010

Enquanto isso na praia...

História de Marsupial Antunes




...naquela roda de amigos à beira-mar rolava um clima quente, agradável pra quem quer ser forjado na brasa. Enfim, amigos aditivados pelos vapores do alcool entraram numa célebre exposição de tatuagens. Cada um revelava a seu modo as histórias de suas tatoos. As estrelinhas que remetiam ao cosmo, patinhas que demonstravam o amor aos animais, riscos que transportavam a raios imaginários (embora pareça uma cabeça de galo com crista e tudo). Sem excluir as bruxas, as rosas e superman. Mas chega a hora de um deles que ao palmilhar cada espaço do seu corpo, espanta-se por não ter nenhum rabisco. Nada mesmo!
Por AMOR  a arte contemporânea declara que tatuará a MORTE no seu braço. Para espanto da liberdade a maioria perturba-se na areia.
Argh! chiam uns.
Que que isso? vociferam outros.
De uma sutileza espaçosa, nosso amigo, ateu por declaração, fala que a morte é o nada. E se todos irão experimentá-la, porque não admirá-la.
Insurgiu em mim um sentido plausível dessa interferência social que um grupo tende a presionar o outro, seja pela retórica ou violência, sempre um suplanta o desejo do outro.
Comportam-se assim os alunos assassinos, os pais, os políticos e a maior parte do que nos rodeia.
Neste dia lindo, que tal se eu odiar o mar? E fazer cocô a vista de todos? Discordar da conta e me recusar a pagar?
Que ideia é essa de gado que incutiram na gente! Será que implantaram um chip sem que nos apercebessemos?
Declaro-me então:
A favor das MORTES no corpo.
De tocar fogo nas ROSAS.
Espetem FACAS no galo.
E quanto ao universo até que preservo, desde que tenham ETs de corpos sexys com peitos grandes e bundas de silicone.


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quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Repare.

by Erica Panno

Não adie para outro dia ou todo sempre. Este é o momento de somar.
Restaure conversas, remende mal entendidos, perceba erros. Dê importância.
Repare aquele equívoco que te afastou daquele amigo, no calor da discussão do final de campeonato a letra atravessou a garganta e do arrepio do desengano vomitou-se impropérios.
Repare o comentário maldoso que você fez quando viu o vizinho do lado chegar de carro novo-ano 2012, pois algo pernicioso sondou seu coração ao evocar a inveja sombria.
Repare as visitas que você deixou de fazer a seus pais, imputou-lhes a solidão do crescimento. Envelhecemos todos os dias, mas os pais não nos veem com um coração comprometido. Eles se recusam a enxergar que já somos quase avós, e que mamadeiras serão para os bisnetos.
Alguns não chegarão até lá, então repare o tempo perdido antes do corpo transir para o abismo.
Repare, não como um freio ou contas que se presta a um Deus cobrador de qualquer instância.
Repare, experimentando o feixe de luz que emergirá pela sua atenção às coisas e seus olhos brilharão com um sentido firme: perene e transformador.


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domingo, 7 de novembro de 2010

Feliz demais, até mesmo comprando em lojas de 1,99.

Em minha fascinação pelas palavras tenho certa indignação com quem só escreve sobre dramas, violências, afrontas, inconstâncias. As palavras carregam o peso de fazer coisas se concretizarem. Daí gosto de escrever também para expressar minha felicidade, minha contemplação, minha excitação.
Por mais que supersticiosos de plantão afirmem que expor a felicidade atrai olho gordo, eu não ligo nem um pouco, creio que vale mais a sentença positiva do que apenas uma depreciativa.
Pois bem, como estou em uma fase venturosa, apesar dos quilinhos extras, decidi revelar o quanto é bom ser amada, ser protegida e desejada. Eis aqui uma mulher que sente seu coração preenchido, que às vezes até dói, por estar completo no amor e nas sensações.
O quanto é imperioso ter uma casa, que foge a passos largos de um castelo encantado, já que as baixelas de prata converteram-se em melanina. E os copos ? Quase impublicáveis, pois se estou alegre quebro um, se zangada arremesso dois. Copos só os de R$1,99.

Voltando....
O quanto é imperioso ter uma casa, um lar que te acolhe nas circunstâncias oportunas, uma sala que te entende, como se o fim do mundo estivesse próximo, um quarto que te abraça e no escuro você sabiamente compreende todos os cantos, pois suas mãos não tateiam, elas enxergam qualquer coisa na imensidão do breu.
O quanto é especial conhecer novas pessoas, e de trocar impressões, aprendendo conceitos que lhe eram estranhos até então. E jogar conversa fora, rindo de piadas bobas, e também falar sério quando há oportunidade. Simplesmente porque ao se revelar há um desejo premente que outros te conheçam do jeito que você é, sem laços de fita e papel para presente.

É fantástico quem não tem a alma dura!
Nunca experimentarei o fel de quem chicoteia o diferente.
Nunca terei ganância e inveja sobre os troféus e conquistas dos outros.
Jamais trarei a mão da discórdia e do julgamento sobre ninguém.

Porque eu experimento um espírito liberto do jugo das opiniões e faço parte de um grande conceito: A VIDA.

Eu sou feliz, por mais adversidades que já tenha passado, ainda que minha herança familiar (como toda família) seja uma novela composta com alguns capítulos feios e alegres.

Esta vida está aqui mesmo na palma das minhas mãos selando compromissos e laços dos quais compartilho com prazer com meu
marido
meus filhos
meus amigos
com conhecidos e desconhecidos
comigo imensamente


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terça-feira, 2 de novembro de 2010

Minha série: Poemas de 1991

 
"Os quatro elementos"
Se fosses medir meu sentimento
 Certamente te perderias em contas.
Eu sou o mundo em um só corpo
Fragmentos de uma luminosidade profunda.
Se soubesses o que represento
Confundirias dores e sorrisos que passam,
Confudirias passados e futuros que abençoam,
Confudirias mortes e vidas que ressurgem.
Mas a nascente dos lençóis d´água
Retratam o ciclo da nossa natureza,
Reciclam a fonte em olhos humanos.
Vês então gaivotas ao ar,
Não vês somente o que respiras sem pensar,
Isso reflete o equilíbrio invariável
Controlando o suicídio que mira sem retorno.
Um pouco da matéria que contempla o globo
Um pouco das estrelas que cintilam a noite
Perco-me sentida, sentimentos em transe
Perguntas quem sou...sou só nuance.
Erica, 03.09.1991




Na fuga ouvi os passos da tortura,
O céu como se estivesse me rendendo,
Fazendo-me perplexo e antigo.
Um universo de olhos fechados!
Apenas sobrevivi.
Sou uma pausa do tempo,
Sem caminhos feridos...sem lembranças vividas.
No êxito do vazio, o interesse que morreu um dia.
Erica, 10.12.1991

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terça-feira, 26 de outubro de 2010

Minha série: Poemas de 1993 - "A dúvida real"


Se eu amadurecer esta ideia e tiver uma grama de coragem vou postar alguns poemas e frases que escrevi há remotos 20 anos. Muitos deles transitaram pela minha vida e também por outras conflitantes. A ânsia do escritor se perde no desejo de que as palavras tragam paz a perturbações alheias, intimas, profundas ou efêmeras.
Serão fases inteiras que vivemos ou sonhamos?


" A dúvida real"
No seu rosto as dúvidas do passado,
Aquele modo deserto de pensar.
Tantas vezes quiz você!
Nos lençóis queimava uma certa paixão.
Ás vezes o mundo se confunde:
As guerras unem os povos;
O progresso acelera o desgaste;
O dinheiro intensifica o pesar.
Assim os amores se comportam:
Um dia se quer demais,
No outro tudo se complica.
O que eu sinto às vezes amedronta,
Outras vezes parece que pifa.
Erica/RJ, 23.2.93
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quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Caminhei em algumas estradas.

 
 O que dizer daquele que nunca experimentou: a vida, a religião, as ideias, as comidas, os lugares, as sensações.
No quesito busca interior e religiosa, eu posso dizer que voei provando o melzinho de cada uma. E de todas aquelas que saí, levei comigo um naco de experiência, segurança, pontos de vistas totalmente amadurecidos e acima de tudo um intrínseco respeito pela caridade que cada uma pratica.
Minha familia sempre andou nos centros espiritas, ou melhor nos centros de umbanda, convivi desde menina com as imagens saborosas das comidas preparadas em conjunto, das roupas de baiana bem engomadas, dos vovôs e vovós aconselhando com pureza d´alma e seus cachimbos que empesteavam todo o cabelo  , das festas de crianças, onde doces, refrigerantes e bolos, sempre foram fartos. Era uma alegria.
Na curiosidade de criança, as giras de exus eram proibidas pra menores, havia aquele mistério fabricado pela mente infantil, mas várias vezes espionamos pelas cortinas (eu e minhas primas) com corações acelerados se fôssemos descobertas.
Lá se foram meus tempos de umbanda.
Já adolescente fui arrebatada pelo espiritismo segundo a doutrina de Kardec, compreendi minha missão e li muitos livros, resgatando uma crença que já está clara na memória.
Frequentei festas do povo cigano, e orei com Santa Sara, implorando ao mundo por um olhar mais bondoso e alegre. Por amor à evolução cri na cura espiritual, nos cristais , nos chakras,nas cores e nos mantras.
Por amor as raízes e a natureza, sou obediente aos orixás, que tantas provas me deram da sua proteção.
Por amor e intensamente pela fé creio que todos os homens são senhores de suas vidas, que pelo poder da mente podem fazer maravilhas desde que direcionados no bem. Que lá do Universo forças conspiram a nosso favor.


AMÉM!
OPTCHÁ!
QUE A PAZ ESTEJA CONOSCO!



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quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Seriados nipônicos, nostalgia e Garota infernal. Um prato pra uma observação.





Hoje de forma nostálgica, andava vendo na TV Globinho o POWERS RANGERS operação não sei que lá, permaneci mirando a TV me deixando levar e achando graça. Relembro meus tempos de menina, onde garotos e garotas eram vidrados no spectreman. Eu amava aquela musiquinha e vibrava com o heroísmo fatalista e simples.
Algum tempo depois, meu filho, fã de todas aquelas bobagens inspiradas em mangás, passaram de forma fulminante em minha vida, levando minha paciência e dinheiro.
Ele foi fã do Kamen Rider black X, Power Rangers, Changeman, Jaspion.
Tinha tantos bonecos , seus acessórios e series gravadas em VHS, espadas que brilhavam, capacetes, punhos, fantasias de carnaval. Ainda bem que essa fase passou. Mas ainda perdura seu fascínio pela cultura japonesa. Em seu MP4 só rola musica da melhor qualidade (segundo ele) : japonesa; traduz mangás e ensaia seus primeiros diálogos em terra nipônica. Não me livrei e pelo jeito será um lance que não poderei combater, e como diz o ditado: Se não pode com ele, junte-se a ele!
Mas vendo aquele episódio com sua graça bizarra, fiquei analisando as máscaras dos personagens. Todo mundo é mascarado, seja do bem ou do mal.
E isso me levou a imaginar que todos nós estamos metidos em uma camuflagem que escolhemos todos os dias seja para enganar, seja para nos proteger.
Imagino como seria agora tirar o nosso rosto como se estivesse pregado por botões de pressão e pendurá-lo no cabideiro. Qual face teríamos? Que anjos ou demônios seriam revelados ao mundo?
Imaginei logo a cena do Garota Infernal, não identifiquei a história, pois não conheço nada, aliás, odeio filmes de terror. Do filme só gosto da música, acho tão bacana e perfeita.


Panic At the Disco - New Perspective
Stop there and let me correct it                            Pare e deixe-me corrigir isto
I wanna live a life from a new perspective            Quero viver a vida de uma nova perspesctiva
You come along because I love your face            Você vem junto, porque eu amo o seu rosto
and I'll admire your expensive taste                      Eu irei admirar seu gosto refinado
And who cares divine intervention                        E quem se importa com a intervenção divina?
I wanna be praised from a new perspective          Eu quero ser elogiado de uma nova perspectiva
But leaving now would be a good idea                 Mas partir agora seria uma boa ideia
So catch me up on getting out of here                   Então alcance-me ao sair daqui


Mas sério, já pensou, desabar o rosto e aparecer aquela transfiguração horrenda do Garota Infernal!
Tem muita gente neste mundo que isso cairia perfeitamente.
Mas como acredito que neste planeta tudo tem julgamento, prefiro que elas caiam lá no inferno mesmo, é menos traumático visualmente.


Curiosidades sobre filmes japoneses que todo mundo conhece:

A Viagem de Chihiro (Sen to Chihiro no Kamikakushi, 2001), filme que quebra recordes de bilheteria japonesas em todo o mundo, fatura o Leão de Ouro de Veneza e o Oscar de Melhor Filme de Animação.

Cinema mudo - O primeiro filme produzido no Japão foi o documentário de curta-metragem (Geisha No Teodori) em junho de 1899.

Década de 70- Nagisa Oshima dirige O Império dos Sentidos (Ai no koriida, 1976), um filme político-erótico de época. Oshima, determinado a enfrentar a censura, insiste em lançar o filme com material pornográfico explícito; como resultado, só pode ser revelado na França, e até hoje nenhuma versão sem cortes foi exibida na Japão.



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quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Conto II: Um quarto escuro e a culpa bilateral.

Entrou em seu quarto. Havia sido bailarina por algum tempo, seus pés semelhantes a alfinetes afiados, tão leves e soturnos. Com suas ancas desproporcionais, desconcertou a camisola.
Impetuosa, livrou-se dela! Seu corpo transformado por tantas gravidezes (sete ao todo) não desejadas, as mesmas que enterraram o que o balé clássico tinha feito por ela ainda menina, no tempo em que suas utopias expansivas foram dominadas pela constrição de uma alma aprisionada pela inconsequência dos desvarios da juventude.
Ele é um porco, ela pensou com uma satisfação muito má.
Contemplou as curvas suínas com pavor. E pulou mesmo assim!
Naquele exato momento tomou consciência de um só gole que não transpos a ponte porque não quis.
Não se suicidou pois era tola.
Não se embrenhou no deserto porque era acomodada.
De sofreguidão se despojou e quase morreu por duas vezes na sensação de gozo. Aquilo foi rápido mais uma vez.
Levantou-se com o escuro do quarto, esquadrinhou a silhueta, agora o reconhecendo como marido. E pensou pela segunda vez.
Se ele é um porco, eu sou uma ...
De repente descobriu com carinho que não havia aprendido o coletivo de porcos.

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terça-feira, 5 de outubro de 2010

Declaração de mãe: Meu filho hoje faz 17.


Para uma pessoa que nem imaginava chegar aos 30 anos, isso é uma satisfação. Hoje meu filho completou 17 anos. Não é tarefa fácil entender a cabeça deles, conciliar entre educação, diversão, austeridade e tudo mais. O mundo se precipita numa violência escandalosa que provoca um pânico estampado nos corações de cada pai e mãe, que vê seu filho pegando a chave na porta, acenando com a mão um até mais. É a guerrilha urbana e suas mazelas de proporções continentais.
Eu procuro fazer o meu melhor. Procuro aprofundar-me nos meus defeitos e nos meus erros para dar uma prova a ele que caminho em direção a uma evolução.
Estes dezessete anos não foram fáceis, a minha jovialidade ao ser mãe trouxe muitas incertezas e enganos ao cuidar de alguém em que tudo dependia de você. Já tive olhares pra ele não tão ternos. E achei que não daria conta, pois eles pedem demais, fazem xixi demais, choram e bagunçam tudo demais.
Por algum tempo isso foi realmente demais!
Hoje somos companheiros, ele acha graça de mim e diz que eu estou gordinha. Que sou muito chata. Que sou bonitinha. Que sou preguiçosa porque não gosto de ir a academia. Que sou curiosa porque quero ver o que está fazendo no computador até altas horas.
Mas eu compreendo e mergulho nesse grande amor que temos pelos filhos, é impronunciável e impossível quantificar como queremos protegê-los, o quanto o admiramos por qualquer coisa feita.
Filho! Feliz Aniversário!
Tivemos muitas fases juntos. Estarei sempre aqui, mesmo que você  dê a volta ao mundo, ficarei aqui com meu coração sobressaltado,  mas sempre aqui.
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segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Parte final - todo mundo tem um dia de deprimido: Bucéfalos e outros bichos!

Será que gosto do que escrevi?
Sim , gosto muito de tudo isso (não é propaganda).
Enfim, apesar de ser um texto enredado, foi um momento único, que passou e não voltará com os mesmos aspectos e sentimentos. Uma alma em aflição é estranhamente negra e desmesurada.
Continua...

Tenho que admitir que gota a gota a excelência da realização se esvaia de mim. Como um pequeno frasco de remédio super concentrado a célula da essência vai me abandonando. Critico porque me acomodo, ou passo a conviver com a convivência. Exuberante conveniência!
Houve um tempo, e não está muito longe, o quanto sentia pulsar faíscas de criatividade: palavras, crônicas, ideias.
Ah! Ideias! Sejam elas originais ou adaptadas são para sempre as ideias. Brotando por minhas mãos, olhos, poros, língua, canetas, sonhos. Minhas ideias.
Com pouca estima por mim, me sento e me acomodo agora. Com o temor recorrente de vacilar adaptam-se os seres à rotina. Deixando cretinamente que os idiotas suguem de hora em hora nosso viço e inteligência.
Quem tem o poder afinal da transmutação?
Bem triste sigo, negando de verdade tudo que minhas memórias e aspirações me trazem hoje. Por que continuar servindo a bucéfalos pretenciosos, príncipes soberbos de asneiras?
Malgrado o mau servir, qual êxito há nessa conquista?
Concluo enfim as páginas com a expectativa de um querer mais.
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sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Conto I: A Maçã.

Sonhei que comia uma maçã. Ela estava muito doce. Era estranho, pois era uma maçã verde.
Entre pães e bolos, descobri a maçã com seu aroma ácido. Mirei nas verdes. Uma senhora prateada sussurrou que as vermelhas eram mais simpáticas e companheiras.
- Não mesmo! As verdes são mais bonitas,respondi.
Percorrendo o corredor de enlatados, eu e as maçãs desfrutávamos o amor. Eu descobrira quase sem querer que os acidulantes e conservantes açoitaram por longo tempo meus rins, tornando-me uma presa viciada da praticidade e do gostinho fácil.
Continuamos por mais corredores enfermos, com seus corantes desaforados, achocolatados e biscoitos megalomaníacos, cujo desejo final sempre foi dominar o mundo e todas as mentes.
Eu e minhas maçãs, em sensual sintonia de atração, nos protegemos meticulosamente das teias ardilosas da gula.
Seguimos ao caixa, já tocava as maçãs como se as mesmas num rompante infantil pudessem esticar suas perninhas e pular fora da cesta de uma só vez.
Agarrei-as sem preparo, abocanhei-as em sofreguidão.
Até o último pedaço. Foram mastigadas!
Todos boquiabertos, atônitos, cochichavam e riam, balançavam suas cabeças em desaprovação.
Meu caso de amor acabou em desastre. Ao julgar que poderia sucumbir aos encantos do glúten , horrorizei as frutas com minha falta de humanidade.
Elas urraram em uníssono no mercado.
CAIA FORA, MONSTRA DA GULA!
NÃO QUEREMOS SER DEVORADAS ASSIM.
QUEREMOS SER PROVADAS COM TODO CARINHO.
E ADORADAS.
QUE A BOCA TENHA MANHA.
QUE A SALIVA SEJA SUBMISSA.
QUE DENTES NOS MASTIGUEM MACIAMENTE.

Só que eu repliquei. _ Não dá tudo no mesmo?

Elas riram, sim senhor, elas riram em algazarra, e na balbúrdia me jogaram uma praga.
_Pra quem desconhece que mastigação tem  mistério, que morra envenenado o sistema digestório!
Acordei em prantos. Que falta de respeito!
Saquei da bolsa um chiclete de frutas vermelhas, um cigarro mentolado e de quebra alguma coisa com álcool. Arremessei tudo pra dentro!
Aos poucos, uns pipocos estouraram nas minhas entranhas. Era insólito! Era loucura! Era verdade!
Iniciava-se uma luta armada dentro do meu estômago. Não havia negociação, em jogo a posse de armas químicas. Derivados de petróleo,  de açúcar e nicotina entraram em confronto corpo a corpo. Um desespero só. Gritaram de lá de dentro em profusão:
MONSTRA DA GULA. VAI PRA MESA DE OPERAÇÃO.



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O coração maconheiro do 2ºgrau

Desde que reconheci e uni as letras, apaixonei-me pelas palavras e os resultados que dessa união podem surtir.
Escrevi contos, poemas, frases, numa produção incessante. E foi na adolescência que mais cultivei diante da profusão de ideias.
No meu colégio havia uma professora de Português  que impunha respeito, talvez pelo seu caráter que imprimia seriedade, talvez por sua altivez e cabelos tão longos e lisos (naturais mesmo).
Seu nome? Maria Rúbia!
Quando mirava seus olhos, eu compreendia o significado de ser forte.  Acredito até mesmo que sua mãe ao escolher chamá-la de Maria Rúbia, sabia que tinha 60 por cento de chance de ser mais forte de qualquer outra pessoa.
Nesta época eu já possuía vários cadernos escritos, e entreguei um a Maria Rúbia, um velho caderno de espirais e encapado com plástico de guardar legumes. Queria que ela avaliasse e corrigisse os erros crassos que eu cometera na minha sofreguidão de escritora.
Ela se enterneceu, ainda que na sua forma dura. Após duas semanas chamou-me depois do intervalo em particular. Ali meu coração descolou da caixa torácica e se meteu no avesso, meu corpo se enuviou e me espantei já que estava desaparecendo na ansiedade.
 Quando o velho pátio da escola deixou-nos em solidão, a professora com sua fortaleza contida em si mesma observou coisas boas e más, avaliou minha ortografia.
_ É satisfatória!

Mas neste momento vi seu olhar se demorar nas últimas páginas e perguntou com uma voz de mulher maternal, transformada tão repentinamente.
_ Está enfrentando problemas com as drogas?
_ Não professora (respondi)! Nunca! Não quero nem experimentar (mentira)!
_ Pois se você estiver confusa, pode confiar. Estarei aqui.
_ Fique tranqüila, professora. Está tudo bem!

Maria Rúbia devolveu-me o caderno e sua sentença faz anos perdura em minha memória.
_Dedique-se e escritora serás!

Nunca passei de uma amadora. Mas ao escrever continuo a me apoderar, sendo todas as pessoas gentis e más, vivendo todos os conceitos, possuo as almas da Terra, e suas energias recrutam em mim possibilidades insondáveis.

Este foi um pequeno trecho que desconcertou Maria Rúbia:

“ O coração zombeteiro de tanto haver amado na sombra
Virou coração maconheiro, traído e revirado na lama.”
Por Erica Panno, 1991.

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quinta-feira, 30 de setembro de 2010

O que te apetece?

SONHO,VAIDADE,ESPERANÇA,ALCATRÃO
CHURRASCO,TESÃO,MALDADE,SOLIDÃO
AMOR,SEXO,CORRUPÇÃO
PAIXAO,VIOLÊNCIA,MACARRÃO
ILUSÃO
 CINEMA
    CASAMENTO
       MATERNIDADE
           PIEDADE
                PÃO!
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quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Seguindo todo mundo tem um dia de deprimido: QUANDO EU ERA ADOLESCENTE

Santa mãe do guarda municipal! Tava feia a coisa aqui neste dia. Quando você começa a suscitar os seus 15 anos, realmente tem algo errado no ar. Quem sabe o ar estava bem seco naquele dia, e o cérebro estava confuso, confuso?

" Algumas vezes na adolescência planejava meus sonhos em detalhes específicos, remontava cenários e identidades. Quase sempre desbancava com segurança e muita altivez o sucesso e a sorte. Na minha maturidade meus sonhos já são cinzas e monocromáticos, com regularidade escapa o desânimo a me torturar em textos mais descabidos. A vida nos desafia repetidamente, e os textos  que queremos lançar em alguém  já não são tão resolutos e milimetricamente perfeitos. A todo instante a cupidez, a futilidade e misérias das pessoas nos assaltam vorazmente.
Penso na minha existência, o quão de valor tenho; penso nos relacionamentos interpessoais que praticamos; o quanto o poder se aparta sem desleixo das expectativas.
O que sou agora? Um sucesso, um fracasso, ou o quê?"

continua....
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sábado, 25 de setembro de 2010

Retomando todo mundo tem um dia de deprimido: Primeiro capítulo em 26 de fevereiro deste ano

Eu vou ser bem clara:
Hoje eu gostaria que ninguém viesse me perturbar!

Anseio com excelência estar junto das minhas ideias, recolhida ao meu particular. Perscrutando as singularidades da minha existência. Coexistindo com minhas preocupações, às vezes de formação de caráter e em outras de execução de metas.
Por favor, eu gostaria que ninguém viesse me perturbar,
me espezinhar,
me mastigar.
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quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Todo mundo tem um dia de deprimido.

Para escrever este post relembrei da história da Adriana Calcanhoto, aliás que oficializou sua união, neste mês, com a cineasta Suzana de Moraes. O que quero pincelar não é o casamento, mas o período em que ela escreveu um livro mais ou menos uns dois anos atrás , em virtude de um surto psicótico decorrente de medicamentos (segundo ela).


"Escrever foi a única coisa que restou. Porque, quanto mais eu pensasse no futuro --quanto tempo vai ser, se vai passar--, com a pressão de cancelar entrevistas e shows, a escrita era o que me mantinha no presente, era o que eu intuí que seria a coisa mais sábia a fazer, para não ficar pensando naquilo", conta Calcanhotto."http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=1478


Eu acredito que as pessoas vivem em uma gangorra de sentimentos, por vezes se neutralizam face a vida corrida mesmo. No entanto tem momentos que fica impossível segurar a barra, seja pelas desilusões da vida ou a baixa estima que você tem por si mesmo. Acordar todos os dias não é tão fácil quanto parece, há um programa ritualistico que por vezes queremos esmurrar. Mas não podemos.
São barreiras e ciladas convencionais que armamos para nós mesmos. Eu já escrevi em estado de contentamento e também nos piores momentos, e gosto sempre mais deste último, porque as palavras são mais cruéis,  tem uma acidez que ambiciona corroer a humanidade.

O Grito é uma pintura do norueguês Edvard Edvard Munch, datada de 1893.
Em agosto de 2004, foi roubada do Museu. Encontrada dois anos e meio depois.

Tem dias bons e dias péssimos. Vou relembrar aqui o que escrevi nos dias mais amargos, achincalhando a dor. Embora a palavra exorcize alguns demônios, quando se está deprimido é melhor que a dor cumpra o seu papel: o de doer mesmo, até o final.
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sábado, 18 de setembro de 2010

Eu nem sabia que hoje era o DIA DO PERDÃO!

As ruas israelenses amanheceram desertas neste sábado (18), com todos os comércios fechados e sem carros nas ruas, por causa do Yom Kippur (ou Dia do Perdão), no qual milhões de judeus fazem jejum e se dirigem às sinagogas calçando sapatos de lona.
A paralisação absoluta afeta as cidades do país. Somente nas de maioria árabe - 20% da população israelense - a atividade comercial está normalizada.
O Yom Kippur, mencionado nas escrituras sagradas como o "sábado dos sábados", é o dia mais sagrado do calendário judeu, e exige aos fiéis um jejum de 25 horas e prolongadas rezas nas sinagogas. A festa começou nesta sexta-feira ao anoitecer e continuará até surgirem três primeiras estrelas no céu.
http://noticias.r7.com/internacional/noticias/israel-para-pelo-dia-do-perdao-20100918.html

Aproveitando essa minha descoberta a meu favor, devo pedir perdão para algumas coisas que considero de suma importância:
1. Quero pedir perdão ao meu corpo pois nestes últimos anos não tive zelo por ele, consumindo mais sal e açúcar que deveria;

2. Peço perdão aos meus joelhos, pois o aumento de peso sobrecarrega as articulações;

3. Peço perdão ao meu fígado, porque admito agora que consumo mais álcool que deveria e também gorduras trans, estragando o seu funcionamento;

4. Peço perdão aos meus olhos, porque teimo em não marcar uma consulta ao oftalmologista e percebo que a cada dia distancio o papel em 60cm e se a letra for menor...aí complica tudo;

5. Peço perdão aos meus dentes, e temo muito, pois isso será incorrigível, tremo até desmaiar ao pensar no barulhinho do motor;

6. Peço perdão aos meus filhos por não ter tido a paciência esperada, a minha juventude não deixou que eu tivesse mais calma nas etapas;

7. Ainda nos filhos, peço perdão, pois o trabalho e a faculdade me roubaram ótimos anos deles, que jamais serão recuperados;

8. Peço perdão aos motoristas e trocadores de ônibus, já que nem todos os dias olhei no rosto deles, ali perceberia de maneira humanitária suas agonias e cansaço;

9. Peço perdão aos mendigos, pois raras vezes tive compaixão, ao invés, tive muito medo que chegassem perto;

10. Peço perdão aos bêbados, pois pensei neles, como caras sem vergonhas que não acham o caminho de casa. Naquele momento não concluí que estavam doentes do corpo e da alma. O vicio alcança a todos nós, até mesmo a mim...todos os dias;

11. Peço perdão aos caixas de supermercado, apesar da obrigação laboral, todos nós suspiramos diariamente por respeito e uma palavra de educação;

12.Peço perdão a natureza, continuo comprando produtos e descartando sem o compromissso ambiental.

Enfim, poderia continuar por um longo tempo , mais, mais, mais...

Atire uma garrafa de cerveja quem nunca vacilou neste caminho estranho da vida.
Peça Perdão!

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segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Que eu reaja, que eu ande. Depois da raiva.

 Dê a classe gramatical das palavras: reaja, ande



Verbos em 3ª e 1ª conjugação respectivamente
Tempo: presente
Modo subjuntivo
1ª pessoa do singular


Não! Definitivamente você não está na aula do professor Sergio Nogueira (adoro), nem no soletrando (ação mega positiva de narigudo Huck) . Meu domínio sobre a língua dista de um catedrático.
Invoquei o subjuntivo porque hoje fiquei matutando sobre a raiva que motiva o homem a reagir, a seguir em frente, desafiar o inimigo, mudar de vida.
O medo vive ronronando em nossos pescoços: de ser feio, do óbvio, do trabalho, do fracasso. O medo suborna a vontade, paralisando-a com um jato de receio bronco, assim deixamos de prosseguir. E se caminhássemos só um pouquinho seria tão bom, não ficaríamos perdidos na estrada.




Claro, vá em frente,pode perguntar.




¿O QUE O SUBJUNTIVO TEM A VER COM TUDO ISSO MINHA SENHORA¿

Pois bem, o modo subjuntivo é utilizado para indicar um fato incerto, exprime condição, incerteza e dúvida. No tempo presente pode indicar:

• Uma ação duvidosa, incerta, que poderá ser realizada ou não: Quem sabe ela venha na reunião?


• Um desejo, uma vontade: Então, que você seja muito feliz no seu novo colégio.




Daí amalgamei idéias e me ocorreu que o resultado das coisas é circunstancial; a raiva gera uma reação sim (condição duvidosa e incerta\ desejo, vontade).
Cabe então a cada um, dependendo do seu grau de sanidade, anarquizar seus sentimentos e finalmente ficar em paz.

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